Grandes Componentes do Motor

Antes de mais, vamos dividir o motor em três grandes partes...

 

A cabeça do motor - que aloja as válvulas "os dedinhos" que permitem fechar ou abrir os canais / "buracos" que levam o ar para dentro do motor ou deixam escapar os gases resultantes da combustão.

 

 

 

 

 

O bloco do motor - um bloco em ferro que tem no seu interior um conjunto de cilindros "seringas" que alojam no seu interior o mesmo número de pistãos que fazem o tal movimento de subir e descer, por consequência directa das combustões que ocorrem na cabeça do motor, isto é, por cima das suas próprias cabeças (as dos pistãos).

 

Para transformar o movimento alternativo em circular (rotativo) são necessários uns braços (bielas) que ligam os pistãos (tecnicamente designados por êmbolos) a uma espécie de manivela.

Só que, esta manivela é como se fosse um conjunto de manivelas ligadas entre si de forma a poder receber movimento de todos os êmbolos de todos os cilindros que o motor tem.

A este órgão que mais parece um conjunto de manivelas ligadas entre si, denomina-se Cambota.

A cambota também se pode designar por veio motor. A razão é simples: como a cambota recebe movimento de todos os êmbolos de todos os cilindros que o motor tem, roda permanentemente (de forma circular).

Assim, um conjunto articulado de peças, consegue pôr um veio a rodar permanentemente, de forma a podermos aproveitar esse movimento para deslocar um corpo grande e pesado como é o caso do automóvel.

Como todas estas peças são metálicas, é fácil concluir que, em permanente contacto umas com as outras, vão aquecer muito e, por sua vez, chegar a uma temperatura em que "derretem" e, consequentemente, agarram - gripam. Daí que, quando se diz que um motor gripou, na prática, aqueceu as suas peças metálicas que, por sua vez, ficaram "agarradas"/fundidas umas nas outras.

Para que isto não aconteça é necessário lubrificá-las com óleo, de modo a que não tenham contacto entre si e não gripem. É por isso que debateremos mais à frente o Sistema de Lubrificação.

Em reforço disto, é necessário arrefecer essas peças porque, quando se movimentam e friccionam entre si, aquecem e provocam a tal gripagem. Para colmatar essa situação, temos de arrefecê-las com um componente muito prático que a natureza nos dá - Água. Pelo facto, mais adiante, discutiremos também o Sistema de Arrefecimento.

Para armazenar o óleo que lubrifica todas as peças em movimento, basta que consigamos vedar (por baixo) o motor. A cabeça tapa o motor por cima e o carter tapa o motor por baixo, de modo a que ele fique estanque.

 

 

 

O carter, além de vedar o motor por baixo, tem um formato côncavo e disforme, de modo a poder armazenar o óleo que lubrifica os componentes do motor. Por isso, serve também de depósito/reservatório de óleo para o motor. A vantagem do óleo se encontrar neste local é que permite que a cambota e as bielas se "banhem"/ lubrifiquem no óleo que está no carter. A sua passagem de rotação faz com que "chapinhem" no óleo e se lubrifiquem. Nos restantes componentes do motor, o óleo tem de chegar de uma forma forçada - daí a necessidade da bomba de óleo - para puxá-lo do cárter e depositá-lo na parte superior do motor.

Todos os fenómenos de que mais se ouve falar ao nível dos motores de automóvel passam-se ao nível da cabeça do motor (que contém as válvulas necessárias à sua respiração) e do bloco do motor (que contém os cilindros, contendo estes os pistãos/êmbolos que após a combustão do combustível, são arremessados para baixo e fazem rodar a cambota). O carter é um elemento estático que serve apenas para guardar o óleo e vedar o motor por baixo.

Quando os êmbolos se deslocam para baixo e para cima, percorrem uma distância que se designa por "Curso do Motor". Ao ponto mais alto que atingem designa-se por "Ponto Morto Superior" e ao ponto mais baixo que atingem designa-se por "Ponto Morto Inferior".

Diz-se ponto morto porque é o sítio/ponto em que eles não "fazem nada" nem descem nem sobem (nem aspiram nem comprimem, ...nada!).

 

 

 

 

 

 

 

É o curso do motor que estabelece a altura do motor. Quanto maior o curso, maior a altura.

Mas o motor tem furos - cilindros que alojam os pistãos/êmbolos que andam para baixo e para cima. O diâmetro destes cilindros, à semelhança do curso, influencia a performance do motor.

A cabeça do motor (onde estão as válvulas) reserva um pequeno espaço por cima da cabeça dos êmbolos, onde o ar se aloja depois de comprimido pelo movimento ascendente destes.

A este espaço dá-se o nome de Câmara de Combustão.

É esta câmara que incendeia quando se dá a combustão do combustível.

Ora, pela lógica, a cilindrada do motor (sua capacidade/espaço interior) é calculada da seguinte forma: Curso do Motor x Superfície (área) dos Cilindros.